Breve Observação

Aqui do alto deste arranha-céu eu observo a vida lá embaixo.

Meus olhos veem muito mais do que um humano pode ver daqui. A cortina cinza da poluição revela muito aos meus olhos. Pequenas formigas metálicas que se arrastam lentamente pelos chamados engarrafamentos que preenchem a cidade de tormento. E dentro dessas formigas de metal, ou carros, como são chamados, vão as pessoas, ou pedaços de carne encharcados de sangue como eu os chamo. Hum. como complicam as suas vidas!

Passam o dia todo dentro de suas caixas de concreto, rodeados de papéis os quais denominam burocracia. Vivem criando coisas para complicar suas próprias vidas. E minha maneira de ver a vida é muito particular. Eu a vejo da maneira correta (ao menos para mim). Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem e morrem. Apenas precisam comer e beber para dar continuidade às suas vidas. É isso que faço da minha. Alimento-me desses seres complexos e, talvez por causa disso eu esteja pensando cada vez mais. Evolui durante todos estes anos em que vivi em busca do sangue para saciar a minha sede. mas em todos os tempos em que vivi, as coisas não mudaram tanto, se parar para observar, as coisas continuam as mesmas.

Assim que minha visão alcança o infinito observo a baderna que está lá embaixo. Doenças, assassinatos, acidentes… Morte… Morte… Morte. A morte e as desgraças os rodeiam o tempo todo. Deveriam ter pensado também em descobrir uma forma de espantar a sombra da morte, pois acreditam tanto em si mesmos, trancafiados dentro de seus laboratórios descobrindo curas para o câncer, curas para a Aids, cura para a gripe aviária, curas, curas e mais curas e na verdade apenas conseguem espantar temporariamente este medo eterno.

Eu daqui do alto nem me importo com a maldita morte. Pularia daqui agora mesmo se fosse preciso ou se eu apenas desejasse. Abro os braços e deixo o vento suave e quente envolver meu corpo. Sensação maravilhosa experimento agora, enquanto estico os meus olhos e novamente observo os seres humanos lá embaixo. Entretidos com suas ligações de celular, entretidos com os problemas que devem ser resolvidos AMANHÃ.

 Problemas, problemas e mais problemas, e eu continuo aqui tranquilo como o vento que sopra do alto, observando o fim da tarde e o começo luminoso de uma nova noite. Mas apenas observo tudo sozinho, porque os humanos lá embaixo estão ocupados demais roubando, drogando-se, enchendo-se de meras ilusões, acreditando que o dia de amanhã sempre será melhor, ocupados demais para ver a vida passar diante de seus olhos. Ocupados e ocupados. Criando suas leis para serem quebradas, ocupados trancando suas casas para serem roubadas depois, ocupados prendendo-se em jaulas para se soltarem mais tarde. Ocupados se tornando ainda mais inteligentes para conseguir mais pedaços de papel, os quais denominaram dinheiro, para comprar tudo o que veem pela frente, para preencher o vazio que eles próprios criaram e para mostrar aos outros mortais que os podem comprar.

Desculpe-me, mas eu não sirvo para ser humano. Não sirvo para viver este inferno terrestre. Meu inferno é outro e é muito mais saboroso.

Meu prazer consiste em tomar o rubro cálice da vida, cálice este que vem para dentro de mim com um turbilhão de sentimentos, de pensamentos, de dores e anseios e, eu faço questão de sorvê-los todos, experimentá-los todos, pois duram muito pouco aqui dentro. Duram apenas o tempo necessário para o meu prazer.

E esta vida de vampiro sempre segue sem todos os problemas cotidianos aos quais os humanos se submetem e eu espero e aguardo aqui de cima que sempre prossigam suas vidas enfadonhas, para que desta forma eu possa dar continuidade à minha.

Lina Stefanie

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